United States Border Patrol/Supervisory Border Patrol Agent Abraham Garcia
O governo americano anunciou neste ano que planeja instalar cerca de 536 milhas, aproximadamente 862 quilômetros, de boias cilíndricas ao longo do Rio Grande, localizado no sul do estado do Texas. Tal medida seria imposta com o intuito de mitigar a entrada de imigrantes, em sua maioria mexicanos, no país.
No entanto, não foi dada a devida atenção aos impactos ambientais que tal proposta pode gerar para os locais de sua aplicação. A região já é comumente impactada por inundações e a nova estrutura pode agravar as ocorrências. Apesar de declarações de que as barreiras não causariam impactos significativos, segundo um informante da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), nenhuma comprovação acerca da segurança do projeto foi apresentada.
Diante do exposto, a falta de publicações oficiais sobre a ação e, sobretudo, de estudos ou relatórios sobre seu possível impacto, preocupa geomorfologos da região quanto às possíveis reverberações no rio e suas margens. Além da possível alteração do fluxo do rio, da dificuldade para a pesca, da navegação e de outras práticas, o acúmulo de detritos encalhados pode forçar as barreiras e arrancar parte da instalação. De maneira geral, a população latina da região será afetada, seja pelo afastamento de suas origens, seja pela destruição da paisagem natural.
Antes o governo texano já fez uso de barreiras flutuantes no ano de 2023. A adoção da construção foi permitida por meio de uma licitação aberta durante o primeiro governo de Trump e a ação foi amplamente discutida, desencadeando um atrito entre as políticas locais. As boias também apresentavam material perigoso em sua montagem, desafiando a segurança para a travessia do rio, especialmente de imigrantes que cruzavam a fronteira partindo do México. Desse modo, após uma gama de discussões internas, o Tribunal Federal ordenou a retirada dos dispositivos.
Neste segundo governo Trump, a proposta volta a ganhar forças sob o comando do Departamento de Segurança Interna (DHS). Ainda em 2025, inúmeras leis federais foram suspensas, incluindo a Lei Nacional de Política Ambiental (NEPA), a Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção (ESA), a Lei de Conservação de Aves Migratórias (MAC) e a Lei da Água Potável Segura (Safe Drinking Water Act).
Nesse contexto, empresas privadas, muitas das quais participaram das construções de muros nas fronteiras, receberam financiamento para a construção da corrente de boias sem que houvesse fiscalização abrangente. As primeiras boias foram instaladas em 7 de janeiro, no entanto, a população local e grupos ativistas seguem reunindo informações para lutar contra a barreira e impedir a continuação da construção que já acumula mais de 1 bilhão de dólares em investimentos.
Outro ponto importante a se destacar é a possível transgressão dos tratados firmados entre os países vizinhos, mais especificamente o de 1970, que diz respeito à utilização compartilhada das águas do rio e a delimitação das fronteiras.
Posto isso, a cidade de Brownsville, mais ao sul do Rio
Grande, tem se destacado no que tange a manifestações de oposição ao projeto,
incluindo a votação de resoluções e protestos. Além disso, a oposição dos
demais condados têm seguido a mesma linha de raciocínio e exigido atualizações
e resoluções assertivas para evitar possíveis catástrofes.
Fontes:
GARCIA, Berenice. Trump administration to add 500 miles of
migrant-deterring buoys along Rio Grande. The Texas Tribune, [S. l.], 23 mar. 2026. Disponível em: https://www.texastribune.org/2026/03/23/texas-border-rio-grande-buoys-federal-barrier-brownsville/. Acesso em: 7
abr. 2026.
HERNÁNDEZ, Arelis R. et al. Border wall expansion: Trump environmental impact. The Washington Post, Washington, DC, 21 mar. 2026. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/immigration/2026/03/21/border-wall-expansion-trump-environmental-impact/. Acesso em: 7 abr. 2026.