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Um artigo publicado no Journal on Migration and Human Security, em março de 2026, apresentou uma análise econômica da contribuição dos trabalhadores norte-americanos. O texto esboça uma estimativa que os beneficiários da cidadania por nascimento terão contribuído com US$ 7,7 trilhões para a economia dos Estados Unidos por meio de sua renda entre 1975 e 2074, incluindo uma projeção de US$1 trilhão proveniente de crianças futuras ainda não nascidas.
Esse estudo foi publicado em um cenário de intensas controvérsias jurídicas e políticas. Em janeiro de 2026, o governo dos Estados Unidos emitiu uma Ordem Executiva visando restringir o direito à cidadania por jus solis – direito devido à nascimento em solo – para filhos de pais indocumentados ou com vistos temporários. A tese central do governo baseia-se em uma reinterpretação da 14ª Emenda, argumentando que a cláusula “sujeitos à sua jurisdição” exigiria uma lealdade política plena ao Estado, a qual não seria suprida por indivíduos sem status de residência permanente. A medida enfrentou forte resistência entre juristas e políticos que argumentam que a medida é inconstitucional, uma vez que tenta trazer uma “nova interpretação” para uma “Lei Suprema”. No Direito, a hierarquia jurídica diz que uma ordem executiva não possui prerrogativa para subverter o texto constitucional consolidado pela Suprema Corte, podendo ferir princípios fundamentais do ordenamento jurídico do país.
Dessa forma, o início de 2026 foi marcado por diversos
debates sobre tal ordem e o artigo contribuiu para uma análise na perspectiva
econômica e na identificação de uma consequência na contribuição dos
trabalhadores ao governo. A informação que chamou atenção é que o estudo[1]
estimou que ao contabilizar os indivíduos que conseguiram a cidadania
norte-americana por jus solis, assim como também crianças que ainda
nasceriam dentro desse direito, poderiam contribuir com US$ 7,7 trilhões para a
economia dos Estados Unidos. Diante disso, o levantamento demonstra que a
manutenção da cidadania por nascimento em solo não é apenas uma questão de
direitos civis, mas um fator estratégico para a sustentabilidade do PIB e da
força de trabalho do país.
Fontes:
BBC NEWS BRASIL. Suprema Corte
dos EUA julga fim de cidadania por nascimento ordenado por Trump: como é a
regra no mundo. BBC, 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvg93xvd0l9o. Acesso em: 5 abr. 2026.
CONNOR, Phillip; HALL, Matthew; ORTEGA, Francesc. Multi-Trillion
Dollar and Multi-Million Worker Contributions: An Economic Accounting of
Birthright Citizenship. Journal on Migration and Human Security, New York, mar.
2026. Disponível em: https://cmsny.org/publications/jmhs-birthright-citizenship-econ/.
Acesso em: 1 abr. 2026.
UNITED STATES SENATE. 14th Amendment. Washington, DC: U.S. Senate, 2026.
Disponível
em: https://www.senate.gov/about/origins-foundations/senate-and-constitution/14th-amendment.htm. Acesso em:
5 abr. 2026.
[1]
A metodologia fundamenta-se em uma análise de contabilidade econômica de longo
prazo (1975–2074), utilizando dados do U.S. Census Bureau para projetar
a contribuição de 3,9 milhões de indivíduos divididos em três recortes: adultos
em idade ativa, crianças atuais e uma projeção de filhos futuros (nascidos
entre 2025 e 2044). O estudo organiza essa população em quatro estágios de
carreira — do nível inicial (15–24 anos) ao tardio (até 64 anos).