Gage Skidmore from Peoria, AZ, United States of America
Nos últimos dias, um painel de especialistas do Conselho de Direitos Humanos da ONU demonstrou preocupação após a remoção de 100 juízes de imigração do Departamento de Justiça após iniciativas do governo Trump. Membros do Departamento, esse grupo de juízes se voltam, sobretudo, ao julgamento de casos que englobam a esfera migratória, como audiências de deportações, pedidos de asilo e outros casos dentro desse escopo.
Esta preocupação das Nações Unidas integra mais um capítulo da turbulenta política migratória adotada desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro do ano passado. Desde então, o país tem mergulhado em momentos controversos e, em especial, marcado pelo fortalecimento do ICE (Immigration and Customs Enforcement), que passou a realizar diversas operações de detenção ao redor do país, combinado com uma intensificação das deportações. Contudo, é preciso entender que tal iniciativa faz parte do programa da Casa Branca para favorecer sua agenda, levando em conta, por exemplo, alguns revesses grandes em outras esferas de poder, como é o caso da Suprema Corte.
Algumas semanas atrás a principal corte do país votou a favor da manutenção do direito à cidade por meio do Jus Solis nos EUA, indo contra o governo federal. Além disso, cabe destacar a chegada das eleições de meio de mandato (Midterms), que podem tirar o Senado e o Congresso das mãos dos Republicanos. Logo, é provável que a administração preze por mudanças rápidas para garantir a agenda MAGA até o pleito, visando o cumprimento de promessas, mesmo que isso afete a atual gerência migratória do país.
Os especialistas das Nações Unidas consideram que essas remoções “afetam a independência das cortes migratórias e o sistema de justiça” com consequências “imediatas” e “severas” para o país, marcando um sinal de alerta para o futuro dos EUA. Ou seja, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, assim como outros órgãos do governo federal, está passando por mais mudanças estruturais oriundas da atual gestão Trump. É provável que os efeitos dessas remoções sejam imediatos, cabendo ao tempo mostrar os afetados e como a imigração americana mudará definitivamente após novo cenário.