Paul Goyette from Chicago, USA
Em junho e julho de 2026, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos (EUA) registrou números recordes de prisões de imigrantes no país, com cerca de 43 mil e 49 mil detenções totais, respectivamente. Em paralelo, as ocorrências de detenções de imigrantes sem antecedentes criminais registraram um aumento de mais de 100% do meio do ano passado para o meio deste ano, com cerca de mil detenções de imigrantes legais em julho. Por sua vez, o número de imigrantes com antecedentes criminais violentos caiu para 4% no mesmo período, a menor porcentagem na gestão Trump.
O aumento nos números de detenção expõe uma série de medidas praticadas pelo ICE que visam maximizar políticas de securitização e deportação de imigrantes. Em reportagem publicada pelo New York Times em julho deste ano, funcionários da agência norte-americana relataram que a instituição estabeleceu como objetivo de operação 2 mil detenções diárias. Para manter esta “meta”, o ICE realizou a contratação de novos agentes chegando à marca de 29 mil funcionários em julho, cerca de um terço a mais do que em março. Dessa forma, a agência vem apresentando um constante aumento no número de pessoas encarceradas em centros de detenção desde o início deste ano, onde foram registrados 66 mil imigrantes retidos em junho.
Entre os estados norte-americanos com os maiores números de detenções, destacam-se o Texas e a Flórida, onde o ICE realizou aproximadamente 380 e 230 prisões diariamente em agosto, respectivamente.
Assim, o governo Trump vem apresentando medidas e ações mais agressivas, principalmente após a Suprema Corte ampliar, em junho, a autoridade do poder executivo para definir a política federal de imigração.
Diversos advogados de imigração relataram que muitos de seus clientes receberam intimações do ICE. A reportagem do New York Times cita o caso da advogada Cindy Bladon que relatou que um de seus clientes, de nacionalidade nicaraguense, tinha uma audiência marcada no tribunal de imigração em 2027, mas foi preso no dia 29 de junho em uma inspeção de rotina da agência.
Além da prisão de imigrantes na fila de espera por julgamentos, o jornal The Guardian publicou, em 25 de agosto, uma reportagem denunciando a deportação da esposa de um soldado norte-americano da ativa. Cristy Maroly Villafranca-Trejo, natural de Honduras, foi deportada mesmo sem antecedentes criminais registrados, ainda que o Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA tenha afirmado que “ela teve direito a um processo justo”. Cristy foi deportada para seu país de origem em 11 de julho, deixando seu marido, o sargento do exército norte-americano, também hondurense, Hedar Leonel Turcios Juarez, com os filhos do casal.
O
cenário apresentado evidencia uma intensificação das políticas de securitização
e deportação conduzidas pelo governo Trump. Impulsionado pela expansão da
autoridade do poder executivo concedida pela Suprema Corte e pelo aumento no
contingente de agentes, o ICE estabeleceu metas agressivas de detenção diária
que resultaram em recordes de encarceramentos, com destaque para a atuação em
estados como Texas e Flórida. Esse direcionamento operacional prioriza o
cumprimento numérico em detrimento do perfil dos detidos, reduzindo a proporção
de indivíduos com antecedentes criminais violentos ao mesmo tempo em que
promove um crescimento superior a 100% nas prisões de imigrantes sem histórico
criminal, incluindo pessoas com processos pendentes e legalmente integradas a
famílias americanas.