Em mais um capítulo da dinâmica política imigratória dos EUA, o governo Trump vem considerando a aplicação de uma nova taxa de US$100.000 dólares para estudantes estrangeiros recém-formados em universidades americanas que queiram continuar no país por meio de ocupações formais no mercado de trabalho. Essa proposta, analisando o atual cenário acadêmico americano, minaria uma “tradição” em universidades de contratar estudantes recentemente graduados para integrar seus quadros laborais, além de outras grandes recrutadoras desse grupo, como empresas de tecnologia e gigantes do setor financeiro.
Essa iniciativa é tida como apenas uma consideração por parte do governo federal, como mencionado pela representante do Departamento de Segurança Nacional: “Nenhuma política deve ser considerada definitiva até seu anúncio final”. Contudo, a proposta retoma outros momentos em que a taxa de US$100.000 já foi sugerida pela Casa Branca, como para aplicantes do visto H-1B e, possivelmente, para aqueles que queiram buscar um Green Card, documento que permite a entrada legal nos Estados Unidos.
Para setores da sociedade civil, tal proposta poderia representar um ponto de inflexão para os Estados Unidos, em especial na ideia de permanência do conhecimento e diversidade que as universidades americanas asseguram para o país. Quando analisadas as universidades mais renomadas, em especial as “Ivy Leagues”, é possível notar o impacto dos estudantes estrangeiros em seus quadros discentes. Em 2023, 23% dos alunos das oito universidades que compõem o grupo das “Ivy League” (Harvard, Columbia, Yale, Princeton, UPenn, Brown, Cornell e Dartmouth) eram estrangeiros; em Columbia, esse número chegava a 40%, muito maior do que os 25% de Harvard, frequentemente sendo considerada como uma das melhores universidades do mundo. Nesse sentido, é notável como medidas como a implementação da possível taxa podem representar um risco para o sistema educacional americano, em especial para as universidades mais tradicionais e que possuem reconhecimento internacional.
Isso ocorre, pois, muitos estudantes teriam o interesse em uma educação que permitiria o início de uma carreira relevante nos Estados Unidos, característica muito presente no ensino do país, que constrói pontes importantes com setores relevantes da economia, em especial tecnologia e finanças. Assim, quando possíveis medidas migratórias que afetam esse grupo de estudantes são apresentadas, é possível que impactos econômicos e sociais já sejam sentidos, em especial para aqueles que ainda não iniciaram o processo de ingressar no ensino estadunidense. Por exemplo, segundo projeções do “Instituto de Educação internacional” (IIE) para o período acadêmico de 2026-2027, o país teve uma queda de cerca de 112 mil de novos estudantes ingressando em instituições do país. No último ano acadêmico, 1.169.000 estudantes internacionais iniciaram seus estudos no país, número maior do que os 1.057.000 estudantes que ingressaram no atual ano acadêmico. Além disso, essas projeções indicam uma queda de receita para as universidades de US$3.4 bilhões e a perda de 40 mil empregos.
Logo, é possível notar os principais impactos das políticas migratórias da atual gestão Trump para estudantes internacionais, peça importante para a economia estadunidense. Mesmo sendo uma proposta, a nova taxa de US$100.000 poderia tornar o país menos atrativo para futuros estudantes que, em contrapartida, buscariam outros países para consolidar seus estudos e carreiras. Assim, é importante acompanhar os desdobramentos dessa iniciativa e das próximas mudanças oriundas do governo federal perante a imigração.