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A REAÇÃO DAS URNAS: CUSTO DE VIDA, INFLAÇÃO E A MUDANÇA DO VOTO LATINO NOS EUA

Maria Eduarda Prestes Duarte | 15/08/2026 21:04 | INFORMES
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No dia 03 de novembro de 2026 ocorrerá nos Estados Unidos a denominada “Midterms", as eleições de meio de mandato. O propósito principal desta eleição é a escolha de ocupantes para 435 cadeiras de deputados, cujos mandatos duram 2 anos, além de 35 cadeiras de senadores que possuem mandatos de 6 anos. Semelhante ao Brasil, para o presidente governar e dar continuidade a suas políticas, é preferível que a maioridade dos representantes de seu partido esteja presente nas câmaras legislativas. Por isso, as “midterms” são tão importantes e ainda poderão impactar sobremaneira o Governo Trump. 


Grande parte da população norte-americana apresenta insatisfação com a atual gestão. A pesquisa do The Economist indica que 61% dos eleitores desaprovam em comparação a 34% de aprovação ao governo Trump. Em relação aos insatisfeitos, a maior queixa se demonstra com a capacidade do presidente de lidar estrategicamente com uma crise internacional sendo a Guerra no Irã o principal fator de desaprovação atualmente. Além disso, outros indicadores que respondem pelo nível de insatisfação são: os preços/ inflação; empregos e economia; e imigração, nesta ordem. 


Com as “midterms” no radar, instituições já estão realizando pesquisas para analisar o cenário de votos no país. A CNN apresentou uma matéria indicando que os “independentes”, isto é, os que não estão alinhados a nenhum dos dois maiores partidos dos EUA, atingem o maior número em anos, sugerindo um afastamento dos eleitores registrados em relação ao Partido Republicano desde 2024. 


O Pew Research Center realizou uma análise mais apurada observando a preferência de votos de determinados grupos observando idade, gênero, etnia entre outros. Inicialmente, os democratas têm uma vantagem de 6 pontos percentuais sobre os republicanos entre os eleitores registrados na cédula genérica para o Congresso (43% vs. 37%). No que concerne ao eleitorado latino, 49% indicaram preferência por candidatos democratas ao Congresso, ao passo que 26% optaram por representantes republicanos e 24% declararam-se indecisos ou apoiadores de terceiros. 


Esse cenário diverge do panorama das eleições presidenciais de 2024, quando os eleitores hispânicos se dividiram de maneira quase equitativa em suas intenções de voto. Para esse grupo étnico, analistas apontam como a maior insatisfação ao atual governo a questão do custo de vida e a inflação, dado o impacto causado às famílias de imigrantes e de baixa renda. 


Somando-se à questão do custo de vida, vale notar a influência decisiva da distribuição geográfica desse eleitorado. Os mais de 36 milhões de latinos aptos a votar encontram-se fortemente concentrados em swing states como Arizona, Nevada, Flórida e Texas, tornando pequenas variações em sua intenção de voto determinantes para a definição da maioria no Congresso. Da mesma forma, embora a economia lidere as prioridades, o endurecimento das políticas imigratórias e o aumento do temor de prisões e deportações também geram apreensão e reações negativas entre famílias de status migratório misto, reduzindo o apoio à atual gestão. Por fim, há recortes demográficos importantes internamente: jovens e mulheres latinas lideram o movimento de retorno de preferência ao Partido Democrata, enquanto homens mais jovens e evangélicos latinos mantêm maior identificação com as propostas do Partido Republicano.

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