A agência de notícias estadunidense Associated Press News (AP News) teve acesso às informações fornecidas pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) sobre 5,619,982 imigrantes detidos pela patrulha nas fronteiras americanas entre 1º de outubro de 2018 e 7 de julho de 2025.
O recorte abrange o primeiro governo Trump e o governo de Joe Biden, podendo abrir espaço para discussão sobre os números de presos por ano, mas na análise da AP News é proposto um recorte específico para os dados: para onde os imigrantes detidos foram após serem libertos?
Para isso, foram solicitadas as seguintes informações sobre os imigrantes: nacionalidade, ZIP Code e outras características, sem nome, endereço ou qualquer informação que quebrasse a anonimidade das informações. Ao analisar os dados, os jornalistas perceberam que em alguns milhares de casos, os imigrantes detidos iam para a mesma área de ZIP Code.
A explicação, no caso, seria a de que o ZIP Code tem a função parecida com a do CEP para os brasileiros, um identificador postal em formato de código. Enquanto tratavam a primeira leva de informações, a CBP forneceu dados de 858,537 imigrantes adicionais que entraram no país de maneira oficial a partir de 2021 até 2024. Combinando os dados e removendo os indivíduos com códigos duplicados, ou aqueles sem código (o que para os jornalistas seria uma indicação de que retornaram ao seu país de origem), foram analisados 4,510,850 migrantes.
Nesse contexto, aproximadamente 100.000 migrantes se encontravam em áreas com centros de detenção do Serviço de Migração e Alfândega (ICE) ou centros correcionais. Outra informação curiosa é a suposta mudança em massa para regiões mais pacatas, como um ZIP Code em Dallas com população estimada em 50,000 habitantes. No entanto, segundo os dados da CBP, mais de 19,000 venezuelanos se mudaram para a área após a liberdade.
Ambos os casos apresentam que existe uma realidade sobre os imigrantes libertos que talvez não esteja sendo explicitada. Os dados tratados mostram ainda que existem lacunas, é possível que alguns migrantes forneceram endereços que nunca residiram, mas são casos de exceção e que não deveriam impactar os resultados.
Em suma, a análise realizada
pela AP News a partir dos dados fornecidos pela CBP evidencia que o
tratamento e o cruzamento de informações sobre o destino de milhões de
imigrantes libertos revelam padrões geográficos complexos e, por vezes,
surpreendentes. Embora existam limitações pontuais, como lacunas ou o
fornecimento de endereços incorretos por parte de uma minoria, a concentração
expressiva de indivíduos em áreas específicas aponta para realidades
migratórias e dinâmicas demográficas que merecem maior transparência e
aprofundamento investigativo.