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DO ELITISMO À BASE: A VITÓRIA DEMOCRATA NO SD-9 COMO BARÔMETRO PARA AS MIDTERMS DE 2026

Thaís Caroline Ataide Lacerda / Gabriel Carvalho Fogaça / Luiza Bueno Martins de Assis / Maria Eduarda Prestes Duarte | 20/02/2026 23:40 | Análises
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1. O CHOQUE ESTATÍSTICO DA VITÓRIA DE TAYLOR REHMET NO SD-9

 

A vitória de Taylor Rehmet no Distrito Senatorial 9 (SD-9) do Texas, consolidada no segundo turno da eleição especial realizada em 31 de janeiro de 2026, representa um dos marcos estatísticos mais importantes da política norte-americana neste começo de ano. Inicialmente percebida como uma disputa suplementar em um território tradicionalmente conservador, essa eleição rapidamente ascendeu ao status de objeto de análise jornalística devido à magnitude imprevista da virada democrata.


Localizado no Condado de Tarrant, o distrito viu um triunfo democrata que desafiou as projeções mais otimistas e as métricas históricas da região, onde a hegemonia republicana era considerada estável. A relevância desse pleito ultrapassou as fronteiras estaduais, sendo acompanhada de perto por lideranças nacionais de ambos os partidos como um barômetro fundamental para antecipar possíveis instabilidades republicanas nas eleições de meio de mandato. O resultado, que conferiu a Rehmet uma vitória por margem de dois dígitos, consolidou o evento como um choque estatístico que pôs fim a um jejum democrata de quase meio século naquela localidade específica.


O Distrito 9 inclui regiões relevantes do Condado de Tarrant que englobam partes da cidade de Fort Worth e seus subúrbios ao norte, como Keller, North Richland Hills e Hurst, áreas que formam um mosaico de eleitores tradicionalmente alinhados ao espectro conservador. A vacância que motivou o pleito decorreu da renúncia do senador republicano Kelly Hancock, que deixou a cadeira legislativa para assumir o cargo de Controlador de Contas Públicas (Acting Texas Comptroller of Public Accounts) interino do Texas, e criou a necessidade de uma sucessão imediata para completar o restante do mandato. O pleito foi caracterizado por uma cronologia atípica, ocorreu em um sábado e registrou uma participação eleitoral reduzida, um cenário que historicamente tende a favorecer a base mais mobilizada de cada partido, mas que, neste caso, resultou em uma convergência inesperada de votos para a oposição. Essa dinâmica de baixa adesão transformou a eleição em um laboratório estatístico, onde pequenas mudanças na mobilização demográfica produziram resultados desproporcionalmente impactantes na contagem final.


No campo das estatísticas eleitorais, a vitória de Rehmet sobre a candidata republicana Leigh Wambsganss evidenciou uma ruptura com os padrões de votação consolidados em 2024. Com a totalidade das urnas apuradas, Rehmet alcançou a marca de 57,2% dos votos válidos, enquanto Wambsganss, uma ativista conservadora com forte apoio institucional, obteve 42,8%, resultando em uma diferença superior a 14 pontos percentuais. O choque numérico torna-se evidente quando comparado ao desempenho do Presidente Donald Trump, que venceu o mesmo distrito por uma vantagem de 17 pontos na eleição geral anterior. Essa inversão representa um deslocamento de aproximadamente 31 pontos na margem eleitoral em pouco mais de um ano, um fenômeno raramente observado em distritos considerados seguros para um dos partidos. Além disso, o resultado contrasta fortemente com o desempenho histórico de Kelly Hancock, que havia conquistado a reeleição em 2022 com uma vantagem de 20 pontos.


A análise do comportamento do eleitorado revela que um fator importante para esse choque estatístico foi a mudança de alinhamento de grupos demográficos específicos, com destaque para a população hispânica. Segundo dados de apuração por seção eleitoral, as áreas com maioria de residentes hispânicos apresentaram um deslocamento médio de 34 pontos percentuais em direção ao candidato democrata em relação ao pleito de 2022. Estima-se que Rehmet tenha conquistado cerca de 79% do voto hispânico total no distrito, um aumento expressivo frente aos 53% obtidos por Kamala Harris em 2024, representando o maior crescimento de apoio entre todos os grupos raciais monitorados.


Em termos geográficos, a magnitude do fenômeno é ilustrada pelo fato de que 301 das 364 seções eleitorais do SD-9 (cerca de 83%) registraram um aumento nos votos democratas em comparação com a eleição geral de 2022. Em aproximadamente 40 dessas seções, o crescimento do apoio a Rehmet superou a barreira dos 50 pontos percentuais, com 15 dessas localidades sendo de maioria hispânica, o que se opõe aos modelos de previsão eleitoral baseados estritamente no histórico partidário do distrito.


Diante da consolidação desses números, o resultado no Distrito 9 do Texas passou a ser interpretado por lideranças estaduais como um alerta importante para as estruturas partidárias tradicionais. Embora Rehmet tenha sido eleito para cumprir apenas um mandato parcial, que se encerra no início de janeiro de 2027, o impacto de sua vitória reside na demonstração de que mesmo distritos com margens republicanas de dois dígitos não são imunes a mudanças repentinas de preferência do eleitorado.


A eficácia da mobilização democrata em um cenário de eleição especial, aliada à capacidade de atrair setores do eleitorado que antes pareciam distantes, gerou um novo paradigma de competitividade em regiões até então negligenciadas pelo investimento partidário. Enquanto os partidos se preparam para as primárias de março e para o provável embate renovado nas eleições gerais de novembro, a análise das variáveis que permitiram tal deslocamento estatístico permanece como uma questão central para estrategistas políticos. A resiliência dessa nova coalizão e a sustentabilidade dos avanços democratas em áreas suburbanas e de maioria latina sugerem que o cenário observado no SD-9 abra novos horizontes para o entendimento da política texana contemporânea.

 

2 O PERFIL DO CANDIDATO: “POPULISMO DE CENTRO-ESQUERDA”

 

Nas últimas quatro décadas, setores de renda mais alta e maior escolaridade nos Estados Unidos aproximaram-se progressivamente do Partido Democrata, enquanto parcelas da classe trabalhadora migraram para opções conservadoras. Essa reconfiguração eleitoral foi descrita por Sam Zacher (2023) como uma nova clivagem política baseada menos na renda e mais em capital cultural, na qual eleitores economicamente favorecidos aderem a pautas progressistas, ao passo que trabalhadores não universitários tornam-se mais suscetíveis a discursos populistas de direita. Tal transformação ajuda a explicar por que, em regiões industriais ou suburbanas, o rótulo “democrata” passou a carregar conotações socioculturais de elite, mesmo quando suas propostas econômicas permanecem redistributivas.


A ideia de um partido cuja cultura é fortemente associada ao elitismo também é discutida por Tera Johnson-Swartz no artigo “Democrats Need To Drop the Elitism if We Want To Win Again”, na Newsweek (2024)Para a autora, essa percepção nasce da predominância de profissionais de classe média alta e altamente escolarizados dentro do partido, cenário que molda um ambiente político distante da realidade de trabalhadores comuns. Swartz afirma que esse segmento fomentou um modo de pensar que diminui o valor da experiência prática e coloca credenciais acadêmicas como critério máximo de legitimidade, o que faz com que muitos cidadãos sem diploma superior se sintam ignorados, infantilizados ou tratados como menos capazes. Essa dinâmica, segundo a análise, gerou uma barreira cultural entre o partido e o eleitor médio, que “se cansa de ser tratado como mal‑informado só por não falar a linguagem dos especialistas” (2024). Muitos desses eleitores têm pleno entendimento do mundo ao seu redor, mas não se identificam com a postura “moralista” ou “excessivamente intelectualizada". A falta de ações concretas é uma das grandes críticas, tendo em vista a tendência do partido de priorizar debates, análises e “hipersensibilidade emocional”. Ainda, para a autora, democratas passam tempo demais “em círculos”, concentrados em discussões conceituais ou em preservar a correção política, enquanto a classe trabalhadora deseja soluções imediatas para segurança econômica, moradia, saúde e estabilidade (2024). A consequência desse afastamento, portanto, é o fortalecimento da percepção de que os democratas vivem em uma “bolha de superioridade moral”, incapazes de reconhecer que trabalhadores sem diploma também têm saberes válidos, identidades próprias e expectativas legítimas sobre o que esperam de seus governantes.


Sob essa perspectiva, a vitória de Taylor Rehmet na eleição especial para o 9º distrito do Senado do Texas, em 31 de janeiro de 2026 traz um contraponto a toda essa narrativa sobre a composição do eleitorado democrata, visto que Rehmet rompeu o estereótipo de um partido que prioriza o capital simbólico em detrimento da classe trabalhadora manual e resgatou uma identidade fundamentada no trabalho físico e na organização sindical.  Ele estruturou sua comunicação em torno de problemas tangíveis do cotidiano, como emprego, custo de vida e serviços públicos, demandas diretamente percebidas pelo eleitor. Seu próprio método de campanha reforçava essa lógica: “O plano é o seguinte: vamos continuar fazendo o que temos feito, encontrando as pessoas nas casas, conversando com elas — e não falando para elas — e ouvindo”, disse Rehmet. “É isso que realmente nos ajuda a nos conectar com os eleitores e a entender as questões pelas quais precisamos lutar.” (2026). O procedimento desloca o papel do candidato do emissor de uma agenda ideológica para mediador de demandas concretas, reduzindo a assimetria cultural frequentemente associada ao Partido Democrata.


Toda a campanha de Rehmet enfatizou habitação acessível, ampliação de direitos trabalhistas, apoio a veteranos e redução do imposto predial para famílias trabalhadoras (2026) e manteve seu público em mente no momento de vitória ao agradecer: “esta vitória pertence aos trabalhadores do dia a dia”. A sessão “Direitos dos Trabalhadores, Sindicatos e Empregos” de sua campanha afirma seu posicionamento próximo às necessidades reais de uma classe média trabalhadora texana: “Como presidente de sindicato e mecânico, Taylor acredita que a espinha dorsal do Texas não está na sala de reuniões, mas sim no chão de fábrica. Ele sabe que a melhor maneira de aumentar os salários, proteger empregos e garantir dignidade no trabalho é por meio de sindicatos fortes e do poder dos trabalhadores. Taylor liderará os esforços para revogar leis antissindicais, expandir a negociação coletiva e trazer de volta empregos bem remunerados e sindicalizados para as comunidades do Texas. Ele apoia a reclassificação de trabalhadores autônomos para garantir benefícios e lutará por programas de aprendizagem que criem caminhos de carreira para a próxima geração.” Sobretudo, a vida pessoal de Rehmet distancia-se da imagem do político de carreira por ser filho de um mecânico de aeronaves e de uma cabeleireira. Ele serviu na Força Aérea dos Estados Unidos antes de retornar para casa e assumir o ofício de mecânico. Ao se apresentar como um “veterano e líder sindical”, Rehmet conseguiu converter o ressentimento contra o establishment em um apoio sólido, unindo eleitores da classe trabalhadora, latinos e republicanos moderados sob uma plataforma de "populismo de centro-esquerda" focada em salários dignos e educação pública.


Essa estratégia de conexão direta com o cotidiano dos eleitores permitiu que ele superasse uma grande desvantagem financeira, visto que sua oponente, Leigh Wambsganss, gastou cerca de US$ 2 milhões a mais na campanha e contou com o apoio explícito de Donald Trump. Enquanto a retórica republicana focava em pautas do movimento MAGA, Rehmet centrou seu discurso na “unidade e no entendimento das questões reais pelas quais as pessoas precisam lutar”. A vitória em um distrito que Trump venceu por 17 pontos percentuais aponta que a identidade de “mecânico sindicalizado” pode ser o antídoto para o estigma de elitismo que tem prejudicado os democratas em nível nacional. Com a identidade de “mecânico sindicalizado”, Rehmet quebrou o estereótipo democrata “elitista”.

 

3 O COLAPSO DA “MURALHA VERMELHA” SUBURBANA

 

Historicamente o Texas consolidou-se como um estado de maioria republicana com forte apoio entre eleitores brancos residentes em áreas rurais e alinhados a pautas conservadoras. Nesse cenário, as regiões suburbanas do estado eram a garantia da vitória eleitoral republicana, visto que as suas políticas estavam condizentes com grande parte da população dos condados. No entanto, conforme apresentado no início, um marco aconteceu nas eleições especiais em janeiro de 2026: o político democrata Taylor Rehmet foi eleito para ocupar uma cadeira no Senado Estadual. O resultado sinaliza um deslocamento relevante em um estado tradicionalmente associado à predominância republicana nos subúrbios. Contudo, essa mudança não está conectada exclusivamente ao crescimento de pensamentos liberais, mas também a uma crescente insatisfação ao atual governo.


Embora se trate de uma eleição estadual, o contexto nacional exerce influência significativa sobre disputas locais, especialmente em momentos de elevada polarização. Nessa perspectiva, o eleitorado republicano solicita a alteração de rumo ao partido em relação à imigração, com foco em concentrar-se em questões econômicas essenciais e começar a investir pesado em disputas acirradas.  A partir disso, uma variável importante para favorecer a escolha de Taylor Rehmet para senador estadual é o eleitorado latino, conforme avaliamos anteriormente. Já a manutenção desse apoio torna-se um desafio para o Partido Republicano.


Durante a última disputa presidencial, parcela relevante desse eleitorado demonstrou alinhamento ao discurso de Donald Trump, especialmente em temas relacionados à economia. Entretanto, indicadores recentes de opinião apontam redução nos níveis de confiança e aprovação entre segmentos hispânicos, sugerindo reavaliação desse alinhamento inicial. Assim, abriu-se espaço para que democratas como Taylor Rehmet obtenham ganhos expressivos entre os eleitores hispânicos em meio à reação nacional às táticas agressivas de imigração do governo Trump e à frustração econômica generalizada em diversos grupos demográficos. O peso desse cenário e a consequência de tamanha política migratória transparece em casos considerados improváveis dentro da configuração política recente do estado, a eleição de um candidato democrata, em um estado “constantemente” republicano.


O voto latino forma o maior bloco eleitoral não branco do país totalizando mais de 36 milhões de pessoas. Segundo o estrategista político Mike Madrid, os eleitores latinos possuem a conexão partidária mais instável entre os grupos demográficos, o que permite que se afastem tanto de democratas quanto de republicanos quando percebem falta de honestidade ou são decepcionados pelas legendas. Assim, o descontentamento de ideias centrais da política “Make America Great Again” (MAGA), do atual governo, sinaliza tensões crescentes na coalizão republicana em áreas suburbanas, visto que a então “muralha vermelha” começa a se fragmentar. Ignorar o peso crescente do eleitorado latino pode representar um erro estratégico significativo para ambos os partidos. A ausência de políticas públicas que o beneficiem traz uma alteração na balança dos partidos norte-americanos.

 

4 O CONTEXTO NACIONAL: AS MIDTERMS DE 2026 E O EFEITO TRUMP

A vitória de Taylor Rehmet no Distrito Senatorial 9 não pode ser compreendida como um evento isolado, mas como um reflexo direto da correlação entre a política federal e a performance republicana em nível local. O cenário político de 2026 é marcado por uma estreita maioria republicana na Câmara dos Representantes, de 218 a 214 cadeiras, o que eleva a importância estratégica de cada disputa distrital como um termômetro para as eleições de meio de mandato (midterms).


O desempenho dos candidatos republicanos no “down-ballot”, ou seja, as disputas para cargos estaduais e locais, tem sido severamente impactado pelos baixos índices de aprovação da administração federal. Segundo dados da Brookings Institution, à medida que o apoio ao presidente Trump diminui, as perspectivas republicanas para as midterms de 2026 tornam-se mais incertas. Pesquisas indicam um descontentamento generalizado, com a taxa de aprovação de Trump situando-se em 37%, abaixo dos 40% registrados no ano anterior. Além disso, cerca de 50% dos americanos afirmam que as ações do governo foram piores do que o esperado.


A rejeição ao movimento MAGA tem se mostrado particularmente acentuada em áreas de alta escolaridade e nos subúrbios. Segundo a pesquisa mencionada do Pew Research Center, a confiança na integridade ética de Trump entre republicanos e independentes de tendência republicana caiu de 55% no início do mandato para 42% no período atual. Esse fenômeno de transição no voto “suburbano sugere que a insatisfação com a governança nacional e com as táticas agressivas em áreas como a imigração está fragmentando a antiga “muralha vermelha” texana. Assim, o contexto nacional de 2026 atua como uma força que, ao alienar setores moderados, fragiliza a manutenção de redutos historicamente conservadores.

 

5 ESTRATÉGIA E FINANCIAMENTO: O PAPEL DOS SUPER PACS

 

A vitória de Taylor Rehmet não foi apenas um subproduto do descontentamento orgânico do eleitorado, mas também o resultado de uma operação financeira e estratégica que desafiou um cenário de ampla disparidade de recursos. Enquanto a campanha republicana operou com orçamentos multimilionários, a estratégia democrata focou na eficiência da mobilização de base e no apoio de coalizões específicas. Sua campanha foi marcada por um perfil de arrecadação predominantemente popular que arrecadou um total de U$ 380.626, contando com o apoio de aproximadamente 1.860 doadores individuais, cuja contribuição média foi de U$ 116. Um dado relevante é que 48% de seus fundos vieram de doações de U$ 500 ou menos. Em contrapartida, sua oponente, Leigh Wambsganss, contou com um orçamento que ultrapassou os U$ 2,5 milhões, impulsionado por grandes doadores e PACs conservadores, com um valor médio de cheque por doador de U$ 3.705.


Apesar da desvantagem no caixa direto, Rehmet recebeu um suporte crítico através de serviços não-financeiros (in-kind). O Texas Majority PAC, grupo voltado à eleição de democratas e financiado por doadores como George Soros e pelo nacional American Bridge PAC, contribuiu com U$ 141.250 especificamente para programas de mobilização de eleitores (voter turnout), conforme reportado pelo KERA News. Esse investimento em infraestrutura de campo foi o que permitiu à campanha democratizar sua mensagem e superar o domínio midiático da candidatura republicana, que recebeu aportes de peso como U$ 450.000 do Texans United for a Conservative Majority PAC (ligado aos magnatas Tim Dunn e Farris Wilks) e U$ 100.000 do Texas Senate Leadership Fund, do vice-governador Dan Patrick, dentre outras doações.

 

Comparativo de Eficiência: Campanha SD-9 (2026)

Indicador

Taylor Rehmet (D)

Leigh Wambsganss (R)

Votos Válidos (%)

57,2%

42,8%

Arrecadação Direta

U$ 380.626

> U$ 2.500.000

Doação Média

U$ 116

U$ 3.705

Apoio de Super PACs (Destaque)

U$ 141.250 (Texas Majority PAC)

U$ 450.000 (Texans United)

+1

Perfil de Financiamento

48% de doações de U$ 500 ou menos

Foco em grandes doadores e PACs

Desempenho vs. Trump 2024

+31 pontos de oscilação favorável

-17 pontos em relação à base

 

Além do financiamento, a vitória foi moldada pela diretriz estratégica do Comitê Nacional Democrata (DNC). Sob a bandeira da estratégia “Blue Texas” para 2026, o partido concentrou esforços em distritos onde a margem de vitória de Donald Trump havia sido expressiva, como a cadeira do SD-9, onde Trump venceu por 17 pontos em 2024, mas que apresentavam vulnerabilidades demográficas crescentes. O DNC, em seus comunicados oficiais, classificou o triunfo de Rehmet como um upset, chocante, utilizando-o como prova de conceito de que investimentos direcionados em áreas suburbanas e de maioria hispânica podem reverter redutos historicamente republicanos.


A eficiência no uso desses recursos refletiu-se na capacidade da campanha de pautar o debate local para além da figura presidencial. O uso estratégico de recursos via Super PACs e o apoio de entidades como o OpenSecrets.org para monitorar a eficácia desses fluxos demonstram que a competitividade democrata no Texas depende de uma simbiose entre o perfil do candidato e um suporte financeiro robusto e centralizado. O investimento permitiu que a campanha operasse agressivamente na fragmentação da “muralha vermelha” texana em Tarrant County, servindo como termômetro para as eleições de meio de mandato de 2026.

 

6 CONCLUSÃO: O TEXAS COMO ESTADO DE BATALHA (SWING STATE)

 

A vitória de Taylor Rehmet no Distrito Senatorial 9 transcende o cenário de uma eleição especial isolada para se consolidar como um indicador robusto das transformações estruturais na política texana. O deslocamento estatístico de 31 pontos na margem eleitoral em pouco mais de um ano evidencia que distritos suburbanos e conservadores, antes considerados instransponíveis, apresentam vulnerabilidades crescentes diante de mudanças demográficas e da fadiga com a retórica nacional. Esse fenômeno, impulsionado por uma ruptura histórica no eleitorado hispânico e pela rejeição às táticas agressivas de imigração e ao movimento MAGA, sugere que a antiga “muralha vermelha” enfrenta um processo de fragmentação que coloca o Texas sob uma nova ótica de competitividade.


O sucesso da campanha de Rehmet também oferece um modelo estratégico para o Partido Democrata ao demonstrar que a superação do estigma de elitismo passa pelo resgate de uma identidade fundamentada no trabalho e em pautas econômicas tangíveis. Ao equilibrar um perfil de ‘populismo de centro-esquerda” com uma operação financeira eficiente, que utilizou serviços não-financeiros e o apoio estratégico de Super PACs para mitigar grandes disparidades orçamentárias, a oposição conseguiu pautar o debate local e mobilizar bases até então negligenciadas.


Para as eleições gerais de novembro de 2026, o desfecho no SD-9 atua como um barômetro fundamental, indicando que a baixa aprovação da administração federal e a insatisfação econômica podem fragilizar candidatos republicanos no “down-ballot”. Se a coalizão formada por trabalhadores da classe média, eleitores latinos e moderados suburbanos se mostrar resiliente, o Texas deixará de ser um reduto seguro para se tornar um estado de batalha central na definição do equilíbrio de poder nacional. Portanto, o futuro dos subúrbios texanos dependerá da capacidade dos partidos em responder às demandas concretas por estabilidade e dignidade, sob pena de verem seus domínios históricos reconfigurados por novas dinâmicas de capital cultural e mobilização demográfica.

 

REFERÊNCIAS

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BALLOTPEDIA. United States House of Representatives elections, 2026. 2026. Disponível em: https://ballotpedia.org/United_States_House_of_Representatives_elections,_2026.

BROOKINGS INSTITUTION. As President Trump loses support, Republican prospects in the 2026 midterms grow darker. 2026. Disponível em: https://www.brookings.edu/articles/as-president-trump-loses-support-republican-prospects-in-the-2026-midterms-grow-darker/.

DNC (DEMOCRATIC NATIONAL COMMITTEE). News and Updates. 2026. Disponível em: www.democrats.org/news.

JOHNSON-SWARTZ, Tera. Democrats Need To Drop the Elitism if We Want To Win Again. Newsweek, 2024.KERA NEWS. Republican budget tops $2.5M in race for Texas Senate District 9, records show. 2026. Disponível em: https://www.keranews.org/politics/2026-01-27/republican-budget-tops-2-5m-in-race-for-texas-senate-district-9-records-show.

MADRID, Mike. Citado em: Why Latino voters are the most volatile demographic. BBC News, 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/news/articles/clym85ev64lo.

PEW RESEARCH CENTER. Confidence in Trump dips and fewer now say they support his policies and plans. 2026. Disponível em: https://www.pewresearch.org/politics/2026/01/29/confidence-in-trump-dips-and-fewer-now-say-they-support-his-policies-and-plans/.

POLITICO. Republicans' Hispanic voter problem in Texas special election. 2026. Disponível em: https://www.politico.com/news/2026/02/03/republicans-hispanic-voters-texas-special-00763560.

THE TEXAS TRIBUNE. 2026 Election Analysis and Results. 2026. Disponível em: https://www.texastribune.org/2026-vote/.

UNIVERSITY OF TEXAS. Texas Politics Project - Polling Data Archive. 2026. Disponível em: https://texaspolitics.utexas.edu/polling-data-archive.

ZACHER, Sam. The New Realignment: Culture, Capital, and the Working Class. 2023.

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